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Ilhas Maurícias – Duas Gotas do Ganges no Índico  

autor: Olga Gouveia
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  Ilhas Maurícias – Duas Gotas do Ganges no Índico

“Reza a lenda que Lord Shiva e sua mulher Parvati circundavam a Terra, quando repararam na beleza de uma ilha e do mar esmeralda que a rodeava. Shiva, que carregava o rio Ganges na sua cabeça, para proteger o mundo das cheias, decidiu aterrar, tendo duas gotas de água escorrido de sua cabeça, para caírem na cratera de um vulcão, formando, assim um lago natural. O Ganges indignou-se, por água sua ser derramada em terra desabitada, mas Shiva respondeu que habitantes das margens do Ganges iriam um dia colonizar a ilha e levariam a cabo uma peregrinação anual a esse lago.
Na realidade, a profecia cumpriu-se. Não só a ilha se encontra habitada por mais de um milhão de pessoas dos quais, mais de mil e quinhentos são hindus que anualmente se deslocam ao Grand Bassin, o lago sagrado, para prestar homenagem a Lord Shiva.
Crê-se que Shiva não se opôs a que outros credos se instalassem na ilha porque, apesar da origem vulcânica, há muito que a lava revoltosa não semeia a discórdia entre as diferentes crenças religiosas que assim, pacificamente convivem”.

O fascínio desta lenda contribuiu para a escolha do tema, onde, de uma forma mais ou menos abrangente pretendi transmitir a ambiência fantástica das diferentes misturas étnicas, que convivem de forma amistosa e hospitaleira, quer entre si, quer com os visitantes da ilha, sem pedir nenhuma moeda a troco de uma foto, nem tentando vender bugigangas.

Embora a minha atenção incidisse particularmente sobre a população, usos e costumes, é impossível resistir igualmente aos contrastes e beleza da paisagem, assim como da própria arquitectura.

Há ainda a salientar a importância e influência da comunidade crioula, não só nos ritmos e danças tradicionais, como na própria gastronomia e forma de estar.

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 Olga Gouveia

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Nascida em Lisboa e licenciada em arquitectura, profissão que exerço a 100%, pouca disponibilidade me resta para a minha grande paixão, a fotografia. Só nos últimos 6 anos comecei a desenvolvê-la mais intensamente. Assumindo-me totalmente como amadora e continuando a utilizar a fotografia analógica, rapidamente aderi ao digital e à edição de imagem no Photoshop, que considero um verdadeiro laboratório digital, permitindo-me ainda recriar e conceber novos trabalhos, tal como no passado já o fizera, recorrendo a óleos fotográficos e aguarelas.

Comecei por fotografar arquitectura, com enquadramentos rigorosos, e desenvolvendo um gosto especial pelos Grafismos Urbanos, uma forma muito pessoal de observar. Posteriormente, e de uma forma tímida, tentei abordar a figura humana, ainda que inserida na arquitectura, não como elemento central, assim surgem as Rotinas Gráficas. Tendo uma vida essencialmente urbana, a fotografia de paisagem constituiu sempre um desafio que raramente pratico, apenas quando viajo. Assim, busco novos caminhos, e tento abordá-la numa vertente gráfica recorrendo por vezes ao Infravermelho.

A abordagem assumida ao Retrato surge, pela primeira vez em Cuba, onde a atmosfera que se respira e a empatia gerada entre o fotógrafo e o povo é de tal forma espontânea, que se esquece a timidez. Desenvolvi então um gosto muito especial por fotografar as pessoas e os seus ambientes, o que continuei fazendo, não só quando viajo, mas também em Lisboa.

Posteriormente, para além de diversas temáticas abordadas, tentei ensaios de estúdio e ainda outras experiências, buscando novos caminhos neste surpreendente e apaixonante mundo, que é o da fotografia.

Contactos:
olga54@mail.telepac.pt
http://www.olgagouveia.com



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